quarta-feira, 13 de maio de 2009

Artigo na RBI

Inovações Tecnológicas e Mecanismos de Proteção aos Direitos Autorais na Indústria onográfica

Jucélio Kretzer

Miriam Costa Toyama

RESUMO
As recentes inovações, ligadas às indústrias de computação e eletrônica, vêm colocando
em evidência certas motivações (legais e deliberadas) para o reforço do sistema de
direitos autorais na indústria fonográfica. Este artigo analisa os efeitos de um conjunto
de inovações sobre as formas de proteção de criações artísticas. O argumento básico
está em considerar que, quando a imitação é fácil, os lucros da inovação podem
advir de certos ativos complementares, mais do que do sistema de propriedade
intelectual. O foco está nas relações entre inovações, regime de apropriabilidade,
ativos complementares e desempenho comportamental da indústria. Afirma-se aqui
que, sendo o conteúdo (as canções) do formato digital da música (recurso de
computação) de sua propriedade (direitos autorais), a indústria (fonográfica) acaba
por se beneficiar do desenvolvimento da inovação se o know-how em questão for
utilizado (mediante integração vertical ou acordos contratuais) em conjunto com
outras capacidades ou ativos, na sua comercialização.

Link para o artigo completo

terça-feira, 21 de abril de 2009

Fundadores do Piratebay perdem processo - do site Nerds somos nozes

Os dinossauros vencem e querem inundar a baía dos piratas

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Não adiantou nada Pete Sunde e cia terem mostrado que a promotoria nem sabia do que estava falando e quem estava acusando. Num ambiente com alta pressão política e cartas marcadas, dificilmente quatro transgressores subversivos conseguiriam vencer gigantes que representam dinossauros endinheirados a beira da extinção… mas que ainda têm muito dinheiro no bolso, e colocam a cabeça de qualquer um na guilhotina para protege-lo. Somente pelo espetáculo de transformar um julgamento em algo pop – coisa que John Grisham consegue com muito esforço – a coisa toda foi válida. Mas, mesmo assim, os três fundadores do Pirate Bay, Peter Sunde, Frederik Neij, Gottfrid Svartholm Warg, juntamente com seu investidor, Carl Lundstrom, foram condenados quase com a pena máxima por facilitarem a disponibilização de conteúdos com copyright.

Foi um ano de grade para cada um, e uma multa de 2,7 milhões de euros (R$ 7,8 milhões), para ser paga entre eles. É muito? Os dinossauros queriam mais… US$ 12 milhões (usei três moedas diferentes). E para provar que a coisa toda tinha ares de farsa, Peter Sunde twittou que os piratas estavam condenados uma hora antes do ocorrido, numa clara alusão que o veredicto já estava vazado antes da hora. E mesmo com a ameaça de ver o sol quadrado em breve, Peter ainda despejou mais do seu humor, dizendo que além de filmes e músicas para baixar, agora era a vez do processo. Ele aproveitou também para dizer que nada muda no Pirate Bay; o processo era contra seus fundadores e não contra o site em si.

O que mudou com essa condenação (parcial)? Muito pouco. Para a decisão ainda cabe recurso, o que pode fazer uma decisão definitiva demorar anos para sair. Na verdade, a curto prazo o Pirate Bay ganhou bastante coisa. Muito mais do que perdeu (se é que perdeu alguma coisa). Foram 22 milhões de usuários novos durante o período do julgamento, além de milhares de usuários suecos terem aderido ao seu serviço pago que torna sua navegação na internet anônima, o IPREDATOR. Além disso, seu partido, o Partido Pirata Sueco, ganhou 50% mais integrantes nesse período e já é um dos maiores do país (1600 adesões em um único dia), e já está de olho nas eleições parlamentares suecas. Ou seja, cada vez mais o Pirate Bay ultrapassa o universo dos torrents e vira uma grife poderosa (quem ainda quiser me dar uma camisa deles, eu aceito).

Logo depois do resultado, Peter Sunde iniciou uma conferência e afirmou que prefere queimar tudo que tem do que pagar a indenização. Ele ainda deu seguimento a conferência citando o Google, e com razão, argumentando que ele fornece tantos links supostamente ilegais quanto eles. É só digitar Nine Inch Nails (ou o artista, filme, música a seu gosto) no Grande Oráculo da Internet e milhares de links aparecem. Você ainda pode refinar sua pesquisa para apenas procurar torrents, ou algo assim.

As duas perguntas que surgem com essa vitória parcial dos dinossauros são a)para onde vai o dinheiro da indenização? Para os artistas supostamente lesados, ou para os bolsos de tubarões que só pensam em dinheiro e não no incentivo da arte? b) será que os apoiadores de uma causa tão idiota e já perdida não vêem que isso abrirá procedência para processos de dezenas de milhares de sites? Por que eles acham que somente os sites mais conhecidos são processados?

Enfim, não vou dizer que tempos negros se aproximam, como falaram alguns por aí, porque realmente eles não estão se aproximando. A não ser que a MPAA, a FIAA e todas essas siglas idiotas tenham gente para mover processos pelo resto da vida…. mesmo assim inutilmente.

sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

Questionário da Abrafin

A Abrafin, com colaboração de Bruno Ramos, desenvolveu um questionário eletrônico com a finalidade de melhor compreender as opiniões das bandas, consumidores, jornalistas e membros da cadeia produtiva da música independente sobre a associação.

O objetivo é utilizar as opiniões enviadas na implementação das atividades da Abrafin em 2009.

Participe!
Para responder as questões, são necessários menos de 5 minutos.

O link para acessar o questionário é: http://www.makesurvey.net/cgi-bin/survey.dll/53B6FC7AFDCD427AB874C786B486DA52

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

Oficina "Músico Empreendedor" - 2°CONTATO

A Oficina "Músico Empreendedor" foi especialmente preparada para o 2°CONTATO - Festival Multimídia de Rádio, TV, Cinema e Arte Eletrônica - da UFSCar. Destinada a músicos e bandas independentes interessados em fortalecer e divulgar seu trabalho através das novas ferramentas de produção musical e da Internet baseando-se em um planejamento estratégico das ações a serem tomadas. Em parceria com o SEBRAE-SP, a oficina visa discutir e promover a necessidade de uma postura empreendedora para os participantes do cenário musical que buscam sua profissionalização, além de proporcionar entre o público e os convidados uma troca de experiências sobre realizações no mercado independente.

A Oficina teve dois módulos. O primeiro módulo contou com uma explanação de um consultor do SEBRAE sobre empreendedorismo, seguido de uma palestra sobre Planejamento Estratégico para músicos e bandas, ministrada por Leonardo Castro do GERCPM (Grupo de Estudos sobre as Redes e Cadeias Produtivas da Música) e Maurício Martucci (baterista da banda The Dead Rocks e Coordenador Musical da Rádio UFSCar). A palestra sobre planejamento estratégico tem como objetivo introduzir conceitos e ferramentas de planejamento estratégico para os músicos presentes. Para isso os ministrantes farão uso de exemplos práticos e vivências de Maurício Martucci com sua banda independente, caminhando sempre paralelamente às etapas e metodologias previstas no PE, explanadas pelo Engenheiro de Produção Leonardo Castro.

O segundo módulo da oficina colocou em debate duas importantes personalidades da música independente nacional: Alexandre Barreto, produtor independente e autor do livro “Aprenda a organizar um show” e Rodrigo Lariú, dono do selo independente Midsummer Madness. O objetivo do debate foi ilustrar as dinâmicas e peculiaridades de dois modelos de gestão em música independente: o modelo de produção independente autônoma e o modelo comercial dos selos e gravadoras.



Por Leonardo Castro dos Reis

domingo, 2 de novembro de 2008

Artigo Publicado: A Cauda Longa e a Mudança do Modelo de Negócio do Mercado Fonográfico: reflexões acerca do impacto das novas tecnologias

Olá pessoal,
tive o prazer em apresentar o painel referente a nossa mais recente publicação do nosso grupo no evento ENEGEP 2008.

Esta foi nossa primeira publicação, com a participação de cinco autores a saber - Mauro Rocha Côrtes; Leonardo Castro dos Reis; Rachel Pereira Benze; Sven Schäfers Delgado; Felipe Vasconcelos Fontes Rocha Côrtes -
que estão engajados no GERCPM desde o início das nossas atividades de pesquisa em março do ano 2008.

Bom o artigo chama-se "A Cauda Longa e a Mudança do Modelo de Negócio do Mercado Fonográfico: reflexões acerca do impacto das novas tecnologias" em que basicamente são debatidos e sugeridos novos modelos de negócio no mercado fonográfico brasileiro e por que não internacional também.

Sabemos que o dito mercado fonográfico vem passando por uma crise, buscamos assim compreender as transformações que estão ocorrendo e os novos rumo ou direções que as tendências de mudança tendem a construir quanto às atividades que se desenvolvem em torno da 'cadeia produtiva da música'.

Espero que apreciem a leitura, comentários e críticas são bem vindas!

Atenciosamente,

Sven

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Abaixo segue o resumo, as palavras-chave e o link para o artigo completo.

Resumo: A indústria da música é ainda pouco estudada, não obstante sua importância econômica e os desafios que vêm sendo impostos às empresas deste setor, conseqüências, sobretudo, do desenvolvimento tecnológico e da rapidez com que os novos ciclos de inovações ocorrem. O declínio das vendas de música em praticamente todos os países caracteriza uma crise que já promove mudanças profundas nos modelos de negócio dessa indústria. O tradicional modelo de comercialização de música, centrado na venda de suportes físicos gravados (CD/DVD) rapidamente cede espaço a iniciativas que envolvem o comércio on-line de fonogramas digitais e o oferecimento gratuito de conteúdos em sites patrocinados. Outra conseqüência do desenvolvimento, barateamento e popularização de novas tecnologias é o fato de que o mercado de massa está se convertendo num mercado de nichos. Uma grande variedade de produtos cuja oferta, até recentemente, era considerada antieconômica, passou a ser viável. Esse fenômeno, denominado Cauda Longa, tem o potencial de transformar os paradigmas de consumo vigentes. Nesse novo contexto, as gravadoras independentes ganham espaço, devido à sua maior flexibilidade e ao histórico de enfoque em nichos específicos do mercado.

Palavras-chave: mercado fonográfico, inovações tecnológicas, modelo de negócios, cauda longa

link para site do grupo:
http://www.gercpm.dep.ufscar.br/publicacoes.htm

link para download do artigo:
http://cid-dbca3afddfce754d.skydrive.live.com/browse.aspx/Artigos|_publicados/2008

terça-feira, 28 de outubro de 2008

Estudo investigativo: Desenvolvimento da Indústria Fonográfica na Colômbia

O GERCPM realiza nessa quarta-feira, dia 29 de Outubro, apresentação da pesquisadora Angela Collazos sobre a Indústria Fonográfica Colombiana.


De passagem pelo Brasil, a estudante de graduação em Negócios Internacionais na Universidad Del Tolima, em Ibagué, Colômbia, integrou-se ao GERCPM e realizou um levantamento minucioso sobre a Economia da Cultura em seu país, que contou com o apoio da universidade colombiana. O trabalho teve como objetivo traçar um panorama do desenvolvimento da Indústria Fonográfica Colombiana, passando pela descrição de políticas públicas e pela discussão de dados da evolução do setor cultural.

A pesquisadora apresentará os resultados desse trabalho na sala 1 da pós-graduação no Departamento de Engenharia de Produção da UFSCar, a partir das 17h30.

Mais informações sobre a apresentação pelo telefone (16) 3351-9506 ou no blog do GERCPM.


Apresentação


Estudo investigativo: Desenvolvimento da Indústria Fonográfica na Colômbia


Angela Maria Collazos Rincón

Graduanda em Negócios Internacionais na Universidad Del Tolima

Ibagué - Colômbia


Sala Pós-Graduação

Departamento de Engenharia de Produção - UFSCar

29 de Outubro de 2008

17h30


terça-feira, 21 de outubro de 2008

2°CONTATO - Festival Multimídia de Rádio, TV, Cinema e Arte Eletrônica

De 8 a 12 de Outubro aconteceu o 2° CONTATO – Festival Multimídia de Rádio, TV, Cinema e Arte Eletrônica. Uma realização da UFSCar, produzido pela Rádio UFSCar, Cine UFSCar, Laboratório Aberto de Interatividade, Coordenadoria de Comunicação Social da UFSCar e projeto da TV UFSCar.
Durante cinco dias, colocamos EM CONTATO diversos profissionais e realizadores ligados a Arte, Cultura e Comunicação em atividades gratuitas que aconteceram dentro do campus da UFSCar, no Distrito de Água Vermelha, na Praça do Mercado Municipal, e ainda continuará no site Overmixter, com o concurso RecombinaSOM.
Desde músicos, produtores culturais, artistas multimídia, advogados, jornalistas, estudantes universitários, até representantes das Instituições Federais de Ensino Superior (IFES) e de coletivos de produção cultural do chamado Circuito Fora do Eixo, todos estiveram engajados na discussão de como garantir a difusão efetiva de ações culturais e fomento à produção e circulação de conteúdos.
Os Debates Transversais procuraram traçar um panorama geral do que vem acontecendo nos setores de Arte, Cultura e Comunicação, aproveitando temáticas altamente em voga nas discussões contemporâneas, propostas no sentido de se construir um entendimento em relação aos novos rumos desses setores.
Diante do momento pelo qual passa a cidade de São Carlos, que vem se fortalecendo no cenário cultural nacional, principalmente no que diz respeito à cultura alternativa, que não encontra lugar na mídia de massa, o 2° CONTATO com certeza será lembrado como um importante marco na articulação de diversos projetos, dentre eles a consolidação da Rede IFES e a entrada definitiva da cidade como importante colaboradora nas ações do Circuito Fora do Eixo. Os Encontros Setoriais foram os espaços dentro do festival pensados para que essas articulações ganhassem corpo e visibilidade. Profissionais de Rádio, TV, Cinema, Arte Eletrônica e Música tiveram espaços dentro da programação para dividir experiências em busca de pontos em comum com os demais agentes de cada setor.
As atividades de formação refletiram a preocupação do Festival CONTATO com o aperfeiçoamento de profissionais e de interessados nas mais diversas áreas de atuação dentro dos setores englobados pelo Festival. Através das diversas oficinas gratuitas oferecidas no festival, o público pôde aprimorar seus conhecimentos em cada área com atividades ministradas por profissionais experientes em suas respectivas atuações.
A formação do público infantil também teve espaço na atividade no dia 12 de Outubro, Dia das Crianças. Os pequenos puderam participar de oficinas, brincadeiras, sessões de curtas-infantis e presença do grupo de teatro Zabriskie que viajou desde Goiânia em sua Kombi mágica para trazer os espetáculos “Luas e Luas” e “Quem quer se casar com o rato?”.
Foram também cinco dias de celebração para a arte sãocarlense. A sessão do filme Testemunha Oculta do cineasta de São Carlos Zé Pintor, filme que foi finalmente sonorizado pela equipe do festival quarenta anos após as filmagens, coroou com a presença marcante do público no distrito de Água Vermelha a justa homenagem ao diretor José de Oliveira, o ilustre Zé Pintor, que esteve presente no evento. A Instalação de “A Idade da Terra”, filme de Glauber Rocha, montada no Teatro de Bolso do Departamento de Arte e Cultura da UFSCar recebeu dezenas de pessoas que tiveram a oportunidade de viver uma experiência sensorial de recombinação do filme em um “Maracanã Eletrônico” e participar do “grande espetáculo holográfico, do raio laser, das telas múltiplas, o cinema das jogadas visuais, a pintura eletrônica”, nas palavras do próprio Glauber. Experiência legitimada pela visita de Joel Pizzini à instalação, considerado “herdeiro” das obras de Glauber, casado com a filha do cineasta responsável pela restauração de seus filmes.
Não podemos deixar de citar os shows memoráveis das bandas da cidade e da região que dividaram o casting com nomes importantes do cenário musical alternativo do Brasil como Curumin, Macaco Bong e Jards Macalé, além de artistas internacionais como o francês King Automatic e a banda grunge americana Mudhoney. Nem a chuva conseguiu apagar o brilho dos shows do sábado, graças à persistência do público presente que não se desencorajou diante da água que caia. Alguns permaneceram escondidos debaixo das marquises esperando uma trégua, enquanto outros deixaram que a água lavasse suas almas e se entregaram aos shows como se a chuva fizesse parte do cenário perfeito que se pintava naquele momento. Para finalizar esse quadro musical tão rico e cheio de nuances que se contrastavam em perfeita harmonia, o Sol deu o ar da graça no domingo e manteve a chuva bem longe da Praça do Mercado. Em praça aberta, com sol aberto, o público recebeu todos os artistas e bandas com muita energia em uma relação de troca e recombinação.
O espírito de recombinação que tanto foi estimulado durante toda a programação do 2° CONTATO fez-se presente em todos os momentos durante esses cinco dias. Não só o público, como todos os convidados do evento entenderam o conceito adotado pelo festival e, com os receptores completamente abertos a novas experiências e propostas fizeram com que a proposta de trabalho de uma equipe fantástica formada por pessoas das mais diferentes origens e formações fosse legitimada e levada às últimas conseqüências.
Como participante da organização do 2° CONTATO, não poderia deixar de finalizar esse texto parabenizando e agradecendo a equipe que trabalhou de maneira espetacular para que o festival fosse bem sucedido. À equipe que esteve envolvida na concepção e na produção do festival durante todos os dias que se seguiram do encerramento do 1° CONTATO, em 2007, até o início do 2° CONTATO. Um trabalho pautado em um processo extremamente democrático em que todos os participantes da equipe tinham vozes e ouvidos e compartilhando idéias e opiniões, tendo sempre em mente o espírito colaborativo enraizado na proposta do festival e dos projetos que o tornaram possível. Também deixo os merecidos agradecimentos aos monitores que fizeram com que o trabalho realizado pela equipe durante todos esses meses de fato se concretizasse durante os cinco dias das atividades. Mentes e espíritos recombinados, sigamos agora em direção ao nosso 3° CONTATO com o mesmo espírito desbravador que fizeram parte das duas primeiras edições do festival. E que não se interrompa a recombinação com o final dessa segunda edição. Mantenhamos nossos receptores ligados e abertos a novas experiências.

Leonardo Castro dos Reis
Estagiário de Produção do 2° CONTATO
Pesquisador do GERCPM